A alienação dos ateus

Posted on 24 de dezembro de 2009

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A divisão feita pela Igreja Católica entre ciência e religião trouxe o maniqueísmo dos extremos. É um ou outro. 8 ou 80. Se usa a fé ou a ciência como se fosse impossível que ambas caminhassem juntas como ocorreu na Grécia, Egito, Atlântida e outros lugares. Este maniqueísmo dos infernos utilizado pela Igreja, fundamentada na moral socrática e dialética platônica, fez com que se excluísse o bom senso e equilíbrio do raciocínio. Assim as pessoas passaram a analisar as coisas como se um fosse o oposto do outro: “bem/mal”, “bonito/feio”, “bom/ruim”, “sábio/tolo” e etc. Como são poucas as pessoas que se aprofundam no meio da religião (sacerdotes católicos passam por instruções filosóficas sensacionais) acabou-se estereotipando a religião como algo ignorante. Os únicos ateus que estudaram as religiões a fundo para fundamentar seu pensamento ateísta são ricos. Ganham dinheiro com isso. A grande maioria dos ateus não utiliza nada de mais que “religião é para o povo”, “a religião impõe” e toda sorte de clichês. A ciência então é vista como a fonte da sabedoria pois foi colocada como o oposto da religião.

Se o maniqueísmo criou a única e exclusiva escolha entre ciência x religião e a religião é a ignorância pensa-se que a ciência é a sabedoria. Então se escolhe a ciência e rejeita-se a religião veementemente sem ter tido o mínimo trabalho de conhecer o pensamento filosófico de cada religião pois nada surge do nada, cada preceito religioso, cada “norma” e “doutrina” não surgiu à toa. Preceitos religiosos não surgiram de um sacerdote que não tinha o que fazer no domingo e ao invés de assistir Faustão resolveu inventar algo. “Ah, acho que vou obrigar eles a isso, isso e isso”. Mas a grande maioria dos ateus não sabe isso. O que lhes compete é ser alienadamente voltados a dialética de ter que escolher um dos lados. Ateus gostam de ser contra o sistema mas nada mais são que fantoches do sistema maniqueísta e dialético platonista que empurra as pessoas aos extremos e nunca ao caminho do meio e da percepção. Não querem ser religiosos então negam a religião mas não conhecem a religião.

O ser humano tem uma carência absurda de parecer inteligente. Você está no meio de amigos que só ouvem rock, entra uma mulher no meio e começam a falar de música clássica. O cara em casa não lê nada mas entra em mil comunidades de orkut sobre autores e livros que nunca leu e nunca lerá e este tipo de posicionamento influi na questão de ser ateu. A religião acabou sendo estereotipada como tudo de ruim na questão de racionalidade e o ateísmo representando o inverso disso tudo. Se a religião é tudo de tolo o ateísmo agora é tudo de bom. Se a religião não pensa, o ateísmo pensa e assim surgem milhões de ateus. Pessoas que apenas se utilizam de clichês “a igreja aliena”, “religiosos são alienados” e “a igreja domina e manipula” e os ateus que sabem mais do que isso, que se aprofundaram nas religiões que criticam, estão ricos vendendo livros para os ateus pobres que são pobres justamente pela ignorância pois se o conhecimento liberta também enriquece.

Se formos analisar os religiosos conhecem muito mais da ciência do que os ateus da religião. A Igreja se intera de tudo que acontece no meio da ciência para poder contestar e manter seus fiéis; já os ateus não se interam do que acontece na religião para poder contestar e não utilizam nada além de clichês. Ser ateu se tornou bonito porque a divisão entre ciência e religião utilizou-se de um maniqueísmo que fez com que se pensasse que tudo que é contra a religião é bom, bonito, bacana, bem vestido e inteligente e as pessoas são orientas sempre a escolher um dos pontos, tese/antítese e nunca a síntese. Ateus que desconhecem a fundo a religião que criticam nada mais são que fantoches do sistema maniqueísta que empurra as pessoas a escolherem uma das pontas mas nunca o caminho do meio.

O pastor aprendeu a ser esperto. Aprendeu que é preciso dar às ovelhas a falsa noção de livre-arbítrio e poder sobre a própria vida. O pastor precisa levar as ovelhas para o destino. Algumas ele leva para um caminho e outras por outro. O que importa é que a ovelha fique calminha e vá achando que está fazendo o certo. A ovelha que vai pelo caminho A acha-se esperta por ir por outro caminho que o da ovelha B e a ovelha B acha-se esperta por ir por outro caminho que o da ovelha A. São todas ovelhas indo para o mesmo destino mas por caminhos diferentes, extremos e opostos e que só tem algo em comum: tirar da ovelha o caminho do meio.

 

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Posted in: Rudy Rafael