Resposta em pergunta para entrevista de emprego

Posted on 11 de abril de 2010

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Há um tempo atrás fiz uma pré-entrevista para uma vaga de advogado em um escritório aqui da região. A 1ª etapa era responder um questionário. Os que passassem seriam chamados para uma 2ª etapa, a entrevista. Aí está uma das questões que surgiu no questionário e a resposta que eu dei.

10- O que pensa sobre a situação econômica do país e a crise mundial?
R.: Vários fatores implicam para a crise mundial. Uma delas é o instinto de competição entre as pessoas. Tudo é competição, todos querem ser melhores que os outros e isto acaba criando uma tensão de própria existência. Este espírito de competição (em ser o melhor, o mais reconhecido e o mais bem sucedido), faz com que as pessoas deixem de se ver como irmãos (pois todos fazemos parte de um todo) e passem a ver o próximo como um adversário. Os judeus costumam dizer: “o que é ruim para o meu vizinho, é ruim para mim” e isto não existe na população. Ao ver algo ruim acontecer todos pensam: “não é comigo, então está bem”. Se passássemos a nos ver como parte de integrante de uma unidade onde fazer o mal a alguém é dar um tiro no próprio pé já mudaria algo.

Outro ponto é o próprio consumismo desenfreado. Todos se perdem em seus próprios desejos. Querem ter coisas de que não precisam e isso gera a ambição e a ambição gera a ganância e arrogância. Se a pessoa tem um carro para se locomover ela irá querer um outro carro melhor. Então, irá fazer um empréstimo com o banco e passar 60 meses da sua vida preocupada em pagar a prestação do carro no fim do mês e se não trocar de veículo enquanto está pagando trocará no final. Para a pessoa não basta ter um terno para poder trabalhar tem que ter o melhor terno. Não basta ter um carro para se locomover tem que ter o melhor carro e é neste ponto que quanto mais se deseja mais se deixa de fazer pelo próximo. A pessoa precisa de um terno mas não basta ter um terno precisa ter o terno mais caro. A pessoa tem uma televisão em casa mas se lançam um televisão com 0,5 polegada a mais ela precisará comprar a nova televisão; se lançam uma televisão que mudou a cor do botão do controle remoto terá que comprar a nova tv. Busca-se o tempo todo por aquilo que não precisamos. Schopenhauer dizia: “queremos não por que tenhamos razão para querer, mas criamos razões porque queremos”. Se o homem passasse a querer ter somente o que realmente precisa para viver o mundo já mudaria bastante.

O mal do século é a solidão. As pessoas têm medo de não serem aceitas e fazem o que for preciso para ser aceitas e o mercado consumista dá essa falsa idéia de que comprando o que está na moda e comprando o que está em evidência você será aceito. Então, passa-se a desejar aquilo que não é preciso. As pessoas compram o que não é preciso simplesmente para preencher um vazio que há dentro de si e para serem aceitas; porém, isto não é difícil de perceber. Nossa sociedade valora as pessoas pelo que elas têm e não pelo que elas são. Nisto, na necessidade da pessoa em ser aceita (justamente porque não se conhece, as pessoas não sabem quem verdadeiramente são) ela busca ter o melhor carro, o melhor terno, o melhor relógio, jóias, num eterno ciclo de consumismo. Napoleão dizia que “o maior orador do mundo é o sucesso”. O sucesso fala pela pessoa bem sucedida, mas o que é o sucesso? Ter ou ser? Em nosso mundo atual não há dúvidas é que o ter e isso é uma demonstração de como há uma falha atual no sistema de nosso planeta.

O sistema econômico e financeiro mundial também é diretamente responsável pela crise que assola o planeta. 90% da riqueza mundial está concentrada nas mãos de 10% da população e a forma que encontraram para concretizar isso foi a globalização. Em 1.911, John Rockefeller (dono da maior empresa de petróleo do mundo na época (Standard Oil Company, que controlava 90% de toda a produção de petróleo e derivados)) tinha uma fortuna de US$ 3 trilhões, o que não é difícil de imaginar que se uns têm demais outros têm de menos. O poder que é dado às instituições financeiras privadas que especulam o tempo todo através de seus contatos com a mídia criando crises e mais crises e gerando dívidas e mais dívidas.

A especulação gera a crise, a crise gera a dívida e a dívida cria escravos. A crise americana de 1.929 nada mais foi que uma jogada para grupos de banqueiros internacionais comprarem bancos privados a preço de saldo como também compraram empresas por preços ínfimos; pois já haviam criado a dívida anteriormente. O sistema financeiro, o dinheiro, nada disto é real, as pessoas são reais. Todo dinheiro gerado para saldar dívidas de empréstimos já é fabricado com mais uma parcela de juros o que cria um ciclo sem fim de poder para poucos pois de onde vem o dinheiro utilizado para pagar o empréstimo? Do próprio banco.

A globalização fez com que acabasse a classe-média dividindo a sociedade em duas castas: os ricos e os pobres. Todas as revoluções que mudaram o mundo foram feitas pela classe-média. Os pobres não tem dinheiro para fazer uma revolução, precisam trabalhar, estudar e não tem tempo para pensar e os ricos estão bem como estão, não precisam que nada mude. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Estão dividindo a sociedade em castas para que nada mude e o sistema religioso também ajuda no ponto que fez com que o homem esquecesse de sua união com o todo cósmico.

Nascemos em um mundo já pensado onde basta seguir o que nos foi ensinado: “Você deve estudar, para ter um bom emprego, para ter dinheiro para se sustentar, formar uma família, ter filhos, se aposentar, se aposentar, ter uma boa velhice e poder aguardar a morte com dignidade”; mas este sistema já não está fazendo mais efeito. As pessoas buscam algo a mais.

Para sair da crise primeiramente é necessário reconhecer que há a crise, depois será necessário que haja o despertar de um sentimento de mudança e se tornará indispensável que queira-se sair desta crise. Então, analisando o todo, veremos que o que é ruim para um é ruim para todos e que todos estamos interligados onde a ação de cada um ecoa na sociedade toda. Precisaremos então adquirir a consciência de que todos precisamos de todos pois a engrenagem precisa desde o parafuso mais pequeno até a prensa mais forte e nisso, sabendo que um precisa do outro, não haverá mais concorrência, disputa, competição; pois poderemos descobrir dentro de nós mesmos o que é essencial. Nisto, teremos o conhecimento de que nada é por acaso e que tudo decorre de uma ação anterior e cada um tentará descobrir a sua função na engrenagem e passaremos ao invés de tirar um do outro, doar, e esse grande esforço por um bem-comum elevará à humanidade a um nível jamais visto, uma grande fraternidade.

Eu não consegui a vaga mesmo tendo curriculum para tal. Talvez eu não tenha dito o que eles esperavam ouvir; porém, eu simplesmente não consigo deixar de pensar isso sobre este assunto e não conseguiria dizer e expressar algo que eu não sinto. Iria dizer o que? Falar em macro e microeconomia? Falar da carga tributária? Falar da oscilação de investimento de capital privado? Será que aí que está o problema ou na falta de unidade em nosso planeta?

Muita gente pensa em mudar o mundo. Querem fazer grandes revoluções, anarquias e rebeliões e concentram seus pensamentos em grandes coisas mas não agem nas pequenas. Dançam conforme a música que lhes tocam. Falam, pensam, vestem e agem como querem que façam e a mudança não passa de papos de bar e filosofias que sem ações se tornam vãs. As mesmas ações produzem as mesmas reações. O mundo como uma grande reação só irá mudar quando as ações mudarem. Você tem que viver o que você acredita.

 


 

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Posted in: Rudy Rafael