A nova geração de jogadores covardes

Posted on 14 de abril de 2010

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Basta ver que os únicos que defendem que Resident Evil não acabou no 3 são os mesmos que jogam LittleBigPlanet para ter uma idéia da situação caótica que se encontra a nova geração. A mesma geração que pensa que Cristiano Ronaldo é jogador de futebol e que toma Toddy pra ser do contra é a mesma tutorializada e que precisa que durante o jogo ao ser agredido apareça um “O – Kick!” ou quando se depare com um buraco surja o “X – Jump!” na telinha é a mesma que está sendo foco da criação dos novos jogos, jogos estes que representam a própria postura dos jogadores e desta postura se tirarão os novos cidadãos do mundo.

Esta mesma geração que pensa que Kratos é super-herói e que acha que é bandida por jogar GTA ao encarar a top geração 80´s em um clássico de luta 2D mostra para que veio: nada. A geração que se acovarda nas lutas ficando somente na defensiva esperando o outro jogador se aproximar para assim utilizar suas mecânicas manhas para vencer e assim ter um número a mais no ranking. A turminha não joga mais para jogar, joga para vencer porque vencendo terá um nível a mais no ranking.

Jogo de luta em video game é para isso, ir para cima, arriscar, ousar, ter coragem, enfrentar; nunca, jamais se acovardar, nunca se mostrar pequeno e amedrontado. Assim como em todo jogo e esporte se ganha, perde, empata, o jogo de luta é a mesma coisa. Uma hora bate, outra apanha, faz parte. Perder um batalha em um jogo de luta, jogando com vida, jamais será mais vergonhoso do que vencer uma com manhas mecânicas. Vencer covardemente se omitindo, deixando de ir pra cima, ficando só na defensiva é a maior vergonha que existe pois demonstra medo e insegurança, além da falta de versatilidade, pois há jogadores que sem manhas não são nada.

O homem como escravo do tempo tem isto de querer mais passar os momentos do que vivê-los. A pessoa entra em uma faculdade de 5 anos e se preocupa mais com as poucas horas do momento da formatura do que os 5 anos na universidade. Namorados fantasiam mais as horas do casamento do que os meses e anos em que estão juntos. Nos jogos on-line é a mesma coisa. A criançada crescida com um arco-íris de camisetas no armário e que pensa que é bonito torcer para mais de um time em favor “do futebol arte” não joga mais por ter o prazer de jogar. A satisfação da luta no exato momento em que estão jogando deu lugar ao único objetivo de aplicar as manhas, vencer e ganhar mais pontos no ranking. Não jogam mais para se divertir jogando, jogam para vencer e ter um número a mais em um ranking. Um número a mais em uma tela importa mais que o prazer do momento do jogo.

Assim surgem os lutadores covardes que demonstrando o seu medo de arriscar ficam só na defensiva, esperando o oponente, sabendo mecanicamente o que fazer em cada caso de ataque, seja terrestre ou aéreo, o que tira completamente toda a espontaneidade do negócio. O bom do jogo é isto: a imprevisibilidade. Se tirar este fator da relação de jogo não existe mais o jogo, não existe adrenalina, não existe desafio, mas apenas uma mecânica aplicação de comandos lógicos e orientados. A turminha que pensa que é índigo porque não pega ninguém está crescendo sem amor até no video game.

Um número a mais em um ranking on-line não é nada, isto não é vida. A vida está na emoção do momento do jogo. Na adrenalina correndo nas veias, em querer vencer, mas não deixar de jogar pra vencer, pois é isto que a criançada da triste geração 90´s está fazendo: deixam de jogar para vencer pois com manhas não é preciso jogar para ganhar, e, oras, se é para não jogar e apenas ficar parado para aplicar uma tática por que jogar? O bom do jogo é justamente isto, ir em cima do oponente, lutar, guerrear, ousar, vencer, não ficar empacado com uma mula se defendendo apenas esperando o adversário chegar para aplicar a seqüência de golpes. Escondem seus medos, inseguranças e incapacidades nas manhas para vencer, pois através das manhas não precisam fazer por si, as manhas já o fazem por eles; não são eles que vencem, mas as manhas vencem sozinhas bastando apenas que se aperte os botões na sequência mecânica conhecida.

No exato momento em que se come, ninguém fica pensando nos efeitos da digestão no dia seguinte e da mesma forma ninguém deveria jogar esperando que o jogo termine logo para ter um número a mais na tela do ranking online. De que adianta ter 1 milhão de vitórias seguidas se todas vieram da mesma forma e com a mesma aplicação da mesma seqüência de comandos? Se é para vencer assim então que programe um software, execute e deixe ali, fazendo a mesma coisa de sempre.

Este tipo de jogador covarde da nova geração é o tipo humano que tendo menos naturalidade que inteligência artificial é um grande receio para todos os que pensam que no futuro as máquinas poderão dominar os homens. A garotada está deixando de ser humano quando joga para ficar apenas aplicando seqüências de golpes com o único objetivo de vencer e com isto além de perder o que tem de mais único em si, sua alma, se tornam grandes covardes que desaprenderam a arriscar por medo de perder.

Estão tornando os seres humanos cada vez mais robotizados e mecanizados, sem naturalidade e tirando a espontaneidade. Os escopos objetivados de aceitação social tiram do homem sua naturalidade e com isso a sua própria alma. As pessoas não sentem mais o que devem fazer, só sabem que devem. A nova geração, dos anos 90, não sente porque deve ouvir rock, mas ouve, não sente porque deve ler Fernando Pessoa, mas lê, não sente porque deve jogar video game e vencer, mas joga e vence. Sentir é viver. Quem não sente está morto e não sabe.

 

 


 

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Posted in: Rudy Rafael