A Samaelaunweorfobia e o complexo de vira-lata

Posted on 13 de maio de 2010

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Dentre todos os autores de esoterismo um dos que mais cria opiniões divergentes é Samael Aun Weor. Não dá pra negar que o cara realmente mandou. Mandou muito bem para uns e muito mal para outros. Entre logos e bogus, avatar e charlatão, as opiniões sempre se dividem e as pessoas se dividem. E novamente a questão do meio termo mostra (ou não) a sua cara. Em relação a Samael é sempre assim: ame ou odeie, aceite tudo ou não aceite nada. É impossível que apenas se aceite algumas coisas que a própria consciência reteu. Os exaltados, de ambos os lados, empurram todo mundo a ter que escolher entre idolatrar ou menosprezar o cidadão. O abominável acima de tudo é que os que assim agem se dizem “místicos”, “esotéricos” e “iniciados”. É óbvio que uma pessoa que chegue perto destes nomes nunca iria se ater a quem diz, mas ao que é dito; além de, acima de tudo, saber que não existe nada e ninguém totalmente certo ou errado mas que deve-se analisar tudo e todos, reter o que é bom e desconsiderar o ruim. Os Samaelaunweorfóbicos não agem assim. Basta que ouçam o nome de Samael que já entram em pânico e passam a mecanicamente falar tudo aquilo que sua mente sofismática processa apenas repetindo aquilo que ouviram e leram. A grande maioria não conhece a obra de Samael. Nunca leu um livro, nunca foi em um seminário da gnose de Samael, nunca praticou, nunca experimentou, nunca comprovou. Apenas fala mal pelo que leu ou pelo que alguém lhe falou e assim retratam a figura dele como se fosse um demônio que veio para tirar todos da senda.

Como não dá pra exigir que estes “iniciados” tenham uma conduta ponderada e saibam analisar isso (desconsiderar a pessoa de Samael e analisar os seus ensinamentos e analisar por si retendo o que é bom e desconsiderando o resto) o que há para discutir sobre Samael é isso: como o povão esotérico age em relação a Samael. O velho maniqueísmo de dividir tudo em bom e mau, bem e mal, certo e errado e 8/80 onde Samael é necessária e obrigatoriamente bom ou mal e onde os seus ensinamentos são desconsiderados em razão da sua pessoa. Para os esotéricos-exotéricos, os que se consideram iniciados pelo que lêem e fazem parte mas que na verdade não o são e nunca foram, funciona assim, então, é necessário ater-se a isso. Joga-se com o que tem e estas são as cartas. Falar uma língua que o outro não entende é desperdiçar energia, tempo e saliva. Como dizer a alguém: “olha, não importa quem foi Samael; leia o que ele deixou, estude e veja o que você acha bom e aproveitável, o que é útil pra você e para os outros, isto você retém, o resto você desconsidera” tornou-se algo sobrenatural e incompreensível para a humanidade ficar batendo neste tema é inútil, pois é algo muito difícil para as pessoas compreenderem, então, fica nisto: se Samael é bom ou mau, bonito ou feio, legalzinho ou chatinho, se seus ensinamentos devem substituir a bíblia ou serem todos queimados em praça pública. Não dá pra exigir mais das pessoas além disso.

O povo esotérico-exotérico vive na busca de mestres. Estão sempre à procura de alguém que lhes diga o que, como e quando fazer. Esta conduta cria naturalmente uma situação oposta onde um lado da balança clama pela destituição da responsabilidade no seguir de mestres e escolas e no outro busca-se os bodes expiatórios e alguém para depositar todas as suas inseguranças e medos. É apenas a compensação de posturas agindo. O povo que segue cegamente um autor e uma ordem aceitando tudo aquilo como verdade absoluta vai precisar de outro autor e outra ordem para compensar o seu desequilíbrio. Menospreza tudo de um lado para poder aceitar tudo do outro e ninguém mais serviu para isso que Samael Aun Weor. O povo precisa dizer amém, mas também precisa acender fogueiras. A grande questão é porque dentre tantos autores cujos escritos não passam de verborragia Samael é que foi escolhido para ser o repudiado pelo povo esotérico-exotérico. Caso fosse um nobre inglês de posses a reação para com ele seria a mesma? Se fosse americano ao invés de colombiano? Se fosse branco, de olhos e cabelos claros ao invés de apresentar traços indígenas? Se tivesse dinheiro para viajar o mundo todo e ter relatado várias “experiências” ao invés de relatar sua vivência em astral? O endeusamento de tudo que vem de fora em detrimento do que é da terra expressa o complexo de vira-lata que sempre se coloca inferior e vê o de exterior como superior. Isto existe em todos os meios da sociedade, seja na política, geopolítica, cultura, sociologia, história e toda forma de criação de identidade de um povo e ampliando a temática para uma questão cultural os ibéricos terão natural identificação um com o outro e na parte da literatura dita “espiritual” isto não haveria de ser diferente.

O complexo de vira-lata é que faz o brasileiro deixar de ouvir música nacional para ouvir a internacional mesmo mesmo que ambas falem exatamante da mesma coisa; que faz a pessoa preferir ler história em quadrinhos de americanos salvando Nova Iorque e japoneses salvando Tóquio do que ler Maurício de Souza e Ziraldo; que faz homens brasileiros acharem que é bonito usar terno e gravata em pubs em um país tropical com 40º C no verão para imitar os Beatles; que faz mulheres brasileiras se fantasiarem de pin-ups do milênio passado; que faz as pessoas detestarem filmes nacionais que nunca viram para assistir os mesmos filmes de american way of life de sempre; que faz o brasileiro utilizar palavras americanas em seu vocabulário informal para parecer descolado como se dizer “night” no lugar de “noite” tornasse o momento melhor; é achar bonito o Halloween e feio a festa de São João e etc. O complexo de vira-lata cria esta idéia de que tudo que é de fora é bom se comparado ao do próprio lugar. Em relação à obra de Samael também pode-se identificar este complexo de vira-lata na medida em que o povo esotérico-exotérico aceita toda a doutrina esotérica de países desenvolvidos sem nenhuma rejeição enquanto que aquilo que é da própria terra é rejeitado. Se Samael fosse branco ao invés de ameríndio será que não o veriam de forma diferente? Para quem acompanha a política internacional bem sabe como Hugo Chávez e Evo Morales são vistos por grande parte da comunidade internacional e sabe no que são motivadas grande parte das críticas a estes. Quem acompanhou a campanha política de 2.006 também sabe como a elite tentou estigmatizar o presidente.

Ser contra ou a favor da pessoa de Samael Aun Weor é total desconhecimento da causa maior. Não importa quem diz mas o que é dito. O que ele foi ou não deverá ser desconsiderado ao verdadeiro Iniciado que se aterá aos seus ensinamentos que é o que podem mudar a sua vida e de qualquer pessoa. Achar que a obra de Samael é perfeita ao ponto de idolatrá-lo ou considera-la uma completa imbecilidade para que menospreze sumariamente tudo que dele venha é ignorância da mesma forma. É preciso analisar cada tema proposto em especial. A opinião de alguém sobre carros não invalida a sua opinião sobre portas. Muita gente fala mal de Samael mas estas opiniões são formadas por outras pessoas, não são opiniões próprias, alguém lhes disse: “Samael é bobo” e todo mundo sai repetindo “Samael é bobo”, justamente porque acreditam, não vivem para comprovar mas para acreditar e basta ter alguém ou uma instituição que lhe diga o que fazer e aceitam pacificamente. Óbvio que nem tudo que Samael disse é perfeito assim como nem tudo que disse é lixo, como os Samaelaunweorfóbicos tentam fazer crer. Cada um deve investigar e comprovar por si. O fato de Samael ter sido latino deve ser motivo de orgulho para os esotéricos latinos e não de descaso e achar que tudo que vem de autores esotéricos de países desenvolvidos são bíblias e que tudo que surja daqui, de nosso país e continente, é lixo nada mais é que complexo de vira-lata.

 

 


 

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Posted in: Rudy Rafael