Cérebros despreparados para Ghouls´N Ghosts

Posted on 14 de julho de 2010

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Parece surreal, mas observando os tipos de jogos que a garotada anda brincando hoje em dia dá pra entender porque Ghouls´N Ghosts virou sinônimo de dificuldade. Basta falar do jogo e já surgem os comentários do quão difícil é e de que nunca conseguiram terminar, como se fosse a coisa mais difícil da galáxia. Ghouls´N Ghosts chegou a se tornar paradigma de dificuldade exorbitante que torna a jogabilidade inviável pelo nível de desafio fazendo até jogadores abandonarem o jogo. Jogo que antes, com 8 anos de idade e na 2ª série do primário, se passava toda a tarde jogando e que hoje a garotada andar pra frente + quadrado e que já fica abandona pelo “nefasto” nível de dificuldade.

O que faz estas pessoas, mesmo mais velhas que as que jogavam na época do lançamento do jogo, acharem assim tão difícil e até mesmo abandonarem o jogo é um conjunto de situações que no decorrer da involução dos jogos foram cadenciando uma nova proposta e com isso modificando a aptidão cerebral dos jogadores para este tipo de jogo. O fato do jogo ser em 2D já quebra a turminha crescida no milk shake de shopping. Jogos no estilo plataforma como Ninja Gaiden, Sonic e Prince Of Persia obrigavam o jogador a desenvolver a coordenação motora; este tinha que ter noção de espaço e tempo nas plataformas e que às vezes eram até móveis. Coordenação é ritmo, é compasso e é Q.I..

Com o surgimento dos jogos em 3D os jogos de plataforma foram sumindo e os que resistiam não criavam empecilhos a ponto de desafiar o jogador a ter que fazer o pulo certo no tempo certo. Nos novos jogos ao errar o salto o jogador cai em um matinho, um lugarzinho qualquer, e o máximo que terá que fazer é escalar e subir tudo de novo. Não é como antes onde se perdia a vida e tinha que recomeçar todo o estágio. Com esta nova realidade de jogos as novas gerações foram desacostumadas a desenvolver a coordenação motora pra trabalhar com este tipo de jogo; o que é essencial para Ghouls´N Ghosts, principalmente nos estágios 2 e 4.

Nos atuais jogos em 3D os protagonistas possuem armas absurdas onde mesmo que sejam cercados por vários inimigos basta apertar um botão e o personagem faz um giro do mal e destrói todo mundo. Em Ghouls´N Ghosts os inimigos cercam dos dois lados da tela, em 2D, e é preciso se livrar de ambos os ataques um de cada vez, não basta apertar um botão, pegar uma mega espada, dar um 360 e pronto. Cada ataque tem um efeito em cada inimigo, o qual pode ser abatido com um ataque dependendo do caso, mas mesmo assim cada vez que o botão de ataque é acionado o ataque só fará um dano em um adversário.

As magias, que tem como função proporcionar ataques extras e mais poderosos, não fazem parte do ordinário da mecânica do jogo. A energia também complica a garotada. Enquanto nos jogos atuais o personagem pode esbarrar em vários adversários, sofrer vários danos e continuar com grande energia, Arthur ao tocar um já perde pontos de energia e estando com a armadura mais primitiva com dois simples toques perde a vida e é preciso recomeçar todo o estágio. Bem sabe-se que o cérebro é como um músculo que precisa ser trabalhado e quando não é utilizado atrofia, um bom exemplo é a memória.

Estudos comprovam que quanto mais uma pessoa treina exercícios de memorização mais retardará as típicas doenças de velhice,em especial Alzheimer. Muitosfundamentos necessários para jogar Ghouls´N Ghosts não foram mais trabalhados com a garotada da nova geração que agora só joga joguinhos de andar pra frente apertando quadrado e que quando tem que pular algo, como em God of War, aparece um medíocre tutorial na tela dizendo o que tem que fazer, além do que, o jogo é programado como um filme em todas as cenas para que o pulo seja acertado apenas apertando a sequência de comandos, como ocorreem Heavenly Sword.

Uma pessoa desenvolve mais coordenação motora jogando Pitfall do Atari e tendo que fazer tudo na raça do que apertando uma sequência de comandos de tutorial pra pular de asinha em asinha de monstrinho comoem Darksiders. Osjogos atuais estão infinitamente mais fáceis que os das gerações de 8 e 16 bits. Como todo hábito soma-se ao subconsciente, o cérebro vai adaptando-se ao que lhe é exigido e à realidade apresentada à mente. A realidade dos jogos atuais não permitiu o conhecimento e a familiarização com a dogmática de Ghouls´N Ghosts e foi assim que o jogo se tornou mais famoso por ser “difícil” do que por ter sido eleito o jogo do ano pela EGM.

Ghouls´N Ghosts deixou de ser um jogo de plataforma para ser mitificado como algo sobrenatural pela dificuldade, tudo porque a mente da garotada não visualiza o que é o jogo e assim seu cérebro não se prepara. Para que possam adquirir uma jogabilidade mínima para encarar Ghouls´N Ghosts e parar com o chororô teriam que readaptar seu cérebro pra fora da caixa dos R1 e dos andar pra frente apertando quadrado e alcançar uma nova temática de jogo. Do contrário, vão continuar jogando a rom, não conseguindo progresso e amaldiçoando o jogo como um dos mais difíceis da Terra. Ghouls´N Ghosts deve ser associado com a sua verdadeira maestria e não com uma falsa dificuldade.

 

 


 

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Posted in: Rudy Rafael