A histórinha da evolução para as bestas humanas dormirem

Posted on 3 de agosto de 2010

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O dogma da evolução atesta que não existe o inverso e que o homem é fadado à perfeição através do caminho evolutivo da alquimia de sua essência. Tal entendimento está presente em várias religiões e escolas, como o espiritismo e o rosacrucianismo, que sendo em sua maioria de origem e formação ocidental não admitem que o homem possa involuir espiritualmente. Deste forma, não importando o que aconteça o homem nunca regredirá em sua senda. Aos que dizem o contrário impugna-se o entendimento evocando a falha interpretação do tempo, a incapacidade de visualização da situação integral das coisas e a postura de escolha de percepção mental.

Alega-se que tudo que leve a crer na possibilidade de involução é apenas equívoco de quem assim pensa; mesmo que entre estes estejam representantes legítimos da Grande Fraternidade Branca, como os budistas e hinduístas. De outro meio, a fim de tentar esclarecer a percepção, considerada errônea, da involução justifica-se na possibilidade real de uma evolução lenta, onde a viciada interpretação de tempo leve a acreditar que as coisas não mudam, ou estagnada, admitindo-se que é possível estacionar e ficar inerte no caminho. O objetivo do dogma da evolução é trazer a esperança de uma existência destinada à felicidade, não permitindo o medo da possibilidade de um estado pior.

Partindo do ponto em que não existe involução e que o mais próximo desta idéia seja a evolução lenta ou estagnação é perfeitamente possível entender que o homem regrida em seu caminho. Pelas infinitas possibilidades de aprendizado existentes em todo o mundo, em todas as épocas, seja pelos caminhos abertos ou fechados, as ferramentas para a evolução espiritual e moral estão acessíveis a todos e apenas os que não querem deixam de aproveitá-las. Estagnando ou “evoluindo lentamente” retrata-se a involução da humanidade, que mesmo tendo tudo à sua disposição insiste em não evoluir pois do muito que poderia ganhar, nada ganha e isto para alguns menos covardes é prejuízo.

A humanidade há milênios vem recebendo ensinamentos sobre como alcançar uma maior Luz mas mesmo assim continua errando sempre nas mesmas coisas. Seja pela religião, pela filosofia ou pelas leis, a humanidade sempre recebeu orientações de como conviver com o próximo. Através do Livro Egípcio dos Mortos, do código de Hamurabi, da Torá e tantos outros há milênios já existem orientações que mostram formas do mesmo princípio “não faças aos outros aquilo que não gostarias que ele te fizesse”. Pode parecer simples, mas da mesma forma que naquele tempo não conseguiam viver isto hoje não conseguem e certamente daqui há 5.000 anos ainda haverá religiões, filosofia e leis com formas deste mesmo príncípio.

O homem continua a mesma besta de sempre. O mesmo animal irracional que em sua origem matava pelos instintos mais primitivos ainda existe até hoje, mas de uma forma velada. A necessidade de satisfação pela agressão foi transfigurada nos ataques verbais. O homem precisa agredir o próximo, regozija-se nisto e sente fome disto mas como as leis o impedem de ordinariamente sair agredindo o outro na rua agora satisfaz este seu desejo através de agressões verbais, sejam elas ofensas puras, disfarçadas de ironia ou sarcasmo ou de debate. O homem tem prazer em ver o outro sangrar, antes fazia sangrar o corpo de outrem, agora faz a alma.

Os mesmos instintos primitivos que há milênios dominavam os homens continuam os dominando. Não conseguem sentir o que o outro sente com sua conduta, seja ela de ação ou omissão. Tentam conseguir as coisas através da força e do medo. Não dão aos outros o livre-arbítrio para fazerem suas próprias escolhas. Seu Ego sente-se ameaçado o tempo todo e ao menor sinal de dissolução este já age bestialmente, seja pela violência física ou verbal. São como répteis escondidos na moita que ao simples passar de alguém já sentem-se ameaçados e atacam sem pensar. Atentam o tempo todo contra a integridade física e moral do outro por coisas banais e se regozijam nisto.

A humanidade tornou-se apenas um amontoado de animais que vivem em tensão todo o momento desejando impor-se um contra o outro. Algumas coisas não fazem por receio de inferno ou cadeia e para outras procuram brexas nos dogmas religiosos e leis para poder expressar toda sua bestialidade. Por mais que as formas tenham alterado as cavernas por grandes prédios os princípios continuam os mesmos. Alguns satisfazem sua animalidade no braço, outras com as palavras. O princípio de tudo é sempre o mesmo: a falta de percepção do espaço físico, emocional, intelectual e espiritual que toda pessoa tem. Todos avançam contra o espaço do outro o tempo todo e não querem nem saber.

O dogma espiritual da evolução se torna no plano prático apenas uma boa historinha pra contar pros filhos antes de dormir. O dogma serve principalmente aos indolentes e preguiçosos que pensam que podem fazer o que quiser eternamente sem ter que se preocupar com nada. É um passar de mão na cabeça. É melhor que as pessoas pensem que podem fazer o que quiser eternamente, mesmo respondendo pelas suas condutas, e que no final serão anjos ou deuses do que possam vir a pensar que se não progredirem uma hora possam vir a involuir e experimentar um status pior. Para o Ocidente, que cria a verdade e não busca a Verdade, é sempre assim.

Criaram a história de uma existência cósmica perfeita em que todo mundo no final vai se dar bem. Mesmo que não neguem que esse longo prazo possa ser o final da eternidade. Para quem pouco importa o caminho da evolução espiritual, para quem nunca teve uma vida sublime e vive a vida como um animal apenas para satisfazer seus sentidos isso pode não importar. Para eles, se a humanidade ficar mais 10 trilhões de ano na mesma m*, todo mundo se agredindo, se ofendendo, se xingando, tanto faz. Mas se esquecem que há pessoas que podem querer algo a mais e que não se contentam mais em viver em uma civilização atrasada e estagnada como esta. Uma civilização involuída.

Nada muda, os mesmos erros se repetem, o ciclo de inconsciência, a prisão na roda de Samsara mantém a consciência coletiva nesta dimensão pequena, neste mundo pequeno e ainda assim se fala em “ser fadado a evolução”. Tanta coisa disponível, em todo canto, e mesmo assim, seja por escolha ou burrice, a humanidade escolhe não evoluir e continuar nesta consciência bestial de “bateu/levou”, de “se eu achar que bateu/leva” e “se eu quiser bater/leva”. A histórinha da evolução, como dogma que se transformou em lei cósmica, nada mais é que conto para as bestas humanas ficarem felizes e dormirem em paz sem que tenham que se preocupar com o que não estão fazendo de suas vidas: evoluindo.

Mesmo que não haja involução stricto sensu a estagnação de uma civilização que há milênios vem recebendo os mesmos ensinamentos para seu progresso e o atraso em comparação às outras mais evoluídas tecnológica e moralmente representam involução e o simples pensar que as coisas mínimas ainda não foram aprendidas causa angústia sobre em que tempo as maiores serão. Dizer que todo este atraso e estagnação é mera falha de interpretação da questão temporal da progressão dos fatos é romântico demais, pra não dizer ingênuo e por mais que seja uma historinha bonita pra contar, nada é e nunca será mais bonito que a Verdade.

 

 


 

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Posted in: Rudy Rafael